O valor de um livro

January 8, 2010

Há dois anos que editamos e vendemos os nossos livros. De um modo claro averiguamos o valor de cada um através da simples divisão do valor de impressão pelo número de exemplares – nem mais nem menos. Tentamos não excluir ninguém pelas suas fraquezas económicas. No entanto com o tempo, reparamos que a nossa ideia do valor de um livro divergia demasiado do valor real do mesmo (isto é, contabilizando todas as etapas processuais, e não por comparação ao mercado livreiro ou aos circuitos de book arts, que pouco nos dizem). Concluímos que não é pelo valor ser baixo que conseguimos chegar ao público e, ou passávamos a pensar no valor de raiz, ou estaríamos condenados a fazer deste o último livro. Quisemos então reflectir sobre o valor singular dos nossos livros, mas primeiramente pensamos se queríamos mesmo continuar a fazê-los (ser editores/produtores) e consequentemente, se queríamos comercializá-los (ser comerciantes). Dispensaríamos a consequência lodosa, mas sim, avante com os livros porque isso nos dá prazer (que é o mesmo que dizer que precisamos de os fazer). Concluímos então que, ainda que pensar num outro valor significaria metermo-nos num aborrecimento de cálculos e equações, não tínhamos escapatória. Ou era isso ou a pedinchice – uma vez que as nossas economias já foram gastas. Há uma longa tradição em endividamentos por conta de editores excêntricos que se arrastam em dividas e com uma cauda de livros, ainda assim, por vender. E poderíamos nós escapar a isso? Tentamos manter-nos numa relação, ainda que de amantes-amadores, relativamente saudável com a editora (…). Enfim, não sabemos onde chegaremos. Mas se calhar podíamos passar ao lado da moeda? Claro que poderíamos fazê-lo desde que a gráfica aceitasse que lhe pagássemos de uma outra qualquer maneira. Até agora preferimos o pagamento em livros a quem o aceita, por exemplo aos autores que os podem vender/oferecer/trocar mais tarde, mas nem sempre isso é aceitável. Não deixamos (mas desejamos) de integrar uma economia, ainda que pequena e peculiar, dentro de outra economia. E assim, bastou alguma paciência para chegar ao valor X a partir do qual tornamos mais ou menos claro e objectivo o que se paga quando se paga um livro nosso. O valor X é o valor da impressão. Todos os valores se definem em relação a X. Este cálculo, igualmente amador, decorrente da prática da economia no sentido mais básico, serve para acharmos o valor de um livro em termos relativamente precisos. Ora, mas o que vale realmente um livro que tem uma longa duração, que foi usado, enquanto objecto no qual se projectam outros valores subjectivos? Não sabemos – é oscilante e incerto.
Despesas IC e PN = 2 x X/2 = 2 X/2 X = X + Editora extra X/10 + Web designer X/20 + Revisores (português e inglês) X/2.22 + Tradutor X/2.66 + Colaboradores por texto X/40 (cada) + Impressão X = 3.47 X Receitas Apoios 1.125 X BF editora 2.375 X
Conclusão: Valor anterior X(valor de impressão) /300(tiragem de exemplares) e agora X/100

O valor de cada livro é aproximadamente três vezes mais do que o cobrado anteriormente. Não é em lucro acumulado que se traduz este cálculo, porque não especulamos esse acrescento no retorno, asseguramos apenas que estes livros paguem os livros do futuro.

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